(Proposta do Dia: Analisar essa tão temida forma de avaliação para uma vaga de emprego. )
Afinal o que é a dinâmica de grupo? São pessoas que nunca se viram na vida, um tentado provar que é melhor que o outro, sem saber exatamente como fará isso, porque você nunca sabe o que está sendo avaliado, por que está sendo avaliado ou qual a finalidade daquela tarefa. É como se você desse um tiro no escuro, se acertar parabéns, se errar, corre... É você tentando dar o seu melhor, mas o melhor em que mesmo???
Normalmente há uma apresentação de todos os participantes, a vantagem é que você consegue “avaliar um pouco” seus concorrentes e se for bem esperto usar isso a seu favor.- Oi, eu sou Fulano, tenho tantos anos, sou formada em qualquer coisa, e graduada em chongas, sou solteira/ casada/ separada/ enrolada/
não-é-da-sua-conta-porque-não-é-minha-vida-pessoal-que-está-em-questão, e estou nessa cidade há tanto tempo atrás de um emprego que nem sei porque ainda estou morando aqui, quero voltar pra minha terra,
Gugu, ajuda eu???Aí enquanto você aguarda a apresentação de todos (
que respondem coisas que não foram perguntadas), você fica bocejando, contando as tábuas do teto (
ou as manchas do carpet) e pensando porque as vacas tem o péssimo hábito de mastigar duas vezes a comida. Sim, é bem difícil permanecer concentrado, mesmo que você queira usar as informações a seu favor.
Após essa encenação toda, vêm a dinâmica em si. Os avaliadores, vão propor algumas tarefas para avaliar as suas habilidades. Se prepare para jogar algum jogo infantil ou então montar alguma coisa, tipo LEGO.
Uma vez participei de uma seleção, onde nós recebíamos 7 peças em madeira, disformes, que não se encaixavam de maneira nenhuma. O tal do “Tan Gran” (
Bota no Google). O objetivo era montar alguma figura estilizada de forma que lembrassem uma pessoa, animal ou objeto (
Viu o que é Tan Gran? Perceba a dificuldade...) O pior detalhe é que tinha que montar isso em grupo. Tudo bem, se eu tivesse que montar sozinha, eu colocaria a criatividade para funcionar e montaria alguma coisa que na minha cabeça faria sentido, o problema é que em grupo, muitas criatividades funcionam e nada faz sentido.
- Monta assim, não assado, não frito, cozido, temperado.- Pára tudo!!! Para que diabos serve isso?
Como alguém vai avaliar a minha capacidade profissional usando um maldito jogo desses? Mas essa não foi nada. Participei de outra, que consistia em montar vários barquinhos de papel, todos iguais, com cores iguais, representando uma empresa de equipamentos marítimos com nome de cerveja paraguaia ou eslovena, tanto faz.
Em grupo, sempre em grupo, malditos grupos. A começar que do meu grupo eu era a única que sabia fazer barquinho de papel.
Gente, vocês não tiveram infância? Mas ok, lá fui eu ensinar a fazer o tal barquinho, outra foi escrever, outra montar, criando assim uma “linha de montagem”.
A representante da empresa, veio conferir o resultado. Ou melhor, criticar o resultado. Resumidamente, nenhuma das meninas que estavam em nosso grupo passou na dinâmica o que me fez pensar se eu deveria ter colocado o meu barquinho para navegar na água antes e assim testar se ele navegava mesmo. Eu quando era criança era tão boa em fazer barquinhos de papel. Eles duravam horas na água, demoravam mais outras horas até derreterem. E eu sempre ganhava na competição.
Mas de que me adiantou saber fazer barquinhos de papel?Outra coisa que não faz o menor sentido pra mim é você ter que “vender” uma coisa que normalmente não precisaria ser vendida. Tipo: morcego vivo, carro sem motor e sem rodas, geladeira pra esquimó... Como você vai convencer um esquimó a comprar uma geladeira?
É pra testar poder de argumentação, me pede pra dizer o que eu acho dessas tarefas que vocês vão saber meu poder de argumentação.De qualquer forma, penso que essas dinâmicas são tipo um ritual de uma seita que só quem é de RH tem acesso. Como essas seitas, tipo maçonaria, onde só quem participa sabe como funciona. Só quem tem talento e sigilo absoluto tem a possibilidade de ter acesso aos objetivos dessas dinâmicas tão sem noção, que nos são propostas.
Eu já pensei seriamente em pesquisar nas bibliotecas da cidade se existe algum livro que fale sobre isso. Mas não encontrei nenhum. Provavelmente eles são vendidos em porões isolados, úmidos e mal cheirosos, cheios de teias de aranha, onde só quem sabe a senha pode entrar.
E se um dia, qualquer dia da minha vida, eu conseguir penetrar nesse porão, escondidinha, nunca mais eu saio. Gente... se eu sumir, é culpa de alguém do RH que me pegou xeretando no que não devia.